O dia amanhece cinzento, abafado, com alguns chuviscos e um pouco de frio, em Braga. Nem parecia um dia de verão. Quinta-feira, 25 de Junho, dia de resaca do S.João. Levanto-me às 8h:30 para praticar desporto. O destino: os campos da Rodovia; um dos espaços em Braga que atraem muita gente no verão. O sol de vez em quando espreitava por debaixo das nuvens que cobriam o céu de cinzento e com tons de azul.
Meia-dúzia de senhores, todos com mais de 40 anos, fazem alongamentos nos principais campos da Rodovia. Seria uma manhã normal se lá também não estivesse o Sr. Tony – António –, 60 anos, maratonista e um grande motivador. Seria para a sua habitual hora de corrida matinal. Veste-se de calça preta, t-shirt laranja e um gorro liso e escuro. É dos poucos que corre à volta do maior campo. Fez mil Kms em Nova Iorque com mais 30 mil atletas, durante vários anos.
A minha intenção era jogar futebol. Parado atrás de uma das balizas a olhar para um dos campos onde alguns rapazes já se perfilavam para jogar, ouvi uma voz: “Vamos, vamos”. Era o Sr. Tony a convidar-me para correr com ele. Perguntei-o se era para irmos jogar futebol. Mas o que ele queria mesmo era que eu corresse com ele porque “na vida há três desportos que não é preciso correr: cartas, damas e uril”, assinala. Por isso, acha que “para ser bom jogador de futebol, ténis, basquetebol, ou outro desporto qualquer, é preciso correr, e correr muito”.
Logo na primeira volta da nossa corrida, começou a fazer elogios a minha forma de correr. Perguntou-me se era atleta. “Corres bem, até. Tens jeito”, notou. Ironizo com a situação dizendo que não tenho fôlego e que também o álcool não deixa.
Falámos de todos os assuntos e mais alguma coisa. Limitava-me a dizer frases curtas, já com a língua fora da boca. O cansaço tomava conta de mim. De cinco em cinco minutos eu parava num dos cantos para fazer um pouco de alongamento. Mais uma volta e os incentivos não param: “Podias ser maratonista”, enfatiza o Sr. Tony, sempre com os olhos postos na minha forma de correr.
Incentivou-me a começar a treinar com ele. “ Se quiseres nos próximos três meses põe-te uma fera”,confia. Por acaso três meses é mais ou menos o tempo que ainda tenho de estadia em Portugal. Tempo esse que não pára. O Sr. Tony avisou-me quando faltavam dois minutos para acabar a sua hora de treino. “Está quase”, conclui. Pouco depois saiu do campo e foi-se embora. Eu também, já exausto e cansado, pus-me a caminho de casa. Combinámos encontrarmo-nos lá alguns dias às 9h da manhã.